Dilma prepara mais medidas para conter queda do dólar

Depois de adotar medidas para reduzir o volume das operações dos bancos com câmbio, que ajudam a derrubar o dólar, o governo reforçou, ontem, seus instrumentos para tentar diminuir também o ganho dos investidores nessas especulações.

O Tesouro foi autorizado a comprar e vender dólar nos mercados futuros, usando o dinheiro do Fundo Soberano do Brasil, uma poupança do governo em reais.

Além disso, a Fazenda quer anunciar ainda nesta semana novas medidas para conter a alta do real, o que deve incluir a divulgação do quanto será bloqueado do Orçamento.

Segundo a Folha apurou, o anúncio depende da cotação do dólar na semana, e a estratégia é apresentar tudo antes da reunião do Copom, na próxima semana. Apesar de o Planalto já dar como certa uma elevação dos juros, quer evitar uma alta “draconiana” da Selic.

Na lista de possibilidades, está novo aumento do IOF para o investidor estrangeiro.

Já se discute um corte acima de R$ 40 bilhões no Orçamento, montante considerado alto por parte da equipe.

  Editoria de Arte/Folhapress  

O desenho final das medidas depende da aprovação de Dilma Rousseff, que quer um bloqueio realista, evitando liberações futuras.

Com o corte de gastos, o juro, que atrai capital externo, pode subir menos, o que evitaria maior alta do real.

FUTUROS

Para influir no dólar, o governo tem basicamente dois canais: compra e venda de moeda à vista e as negociações nos mercados futuros.

Aí estão incluídas as negociações com dólar fechadas hoje, mas com data de encerramento um período à frente (mercado futuro de dólar), e também os contratos de câmbio que misturam dois indexadores (“swaps”).

O volume movimentado nessas operações é cerca de seis vezes maior do que as operações à vista e influencia muito mais a formação diária do câmbio do que os dólares que entram no Brasil e são comprados pelo BC.

Nesses mercados, o estímulo é a rentabilidade. O investidor entra no país, vende dólares, compra reais, aplica os recursos aqui recebendo juros de 10,75% ao ano e se protege de riscos com contratos fechados na BM&FBovespa para vencimento futuro.

O ganho dessa operação é o chamado cupom cambial, que mescla juros pagos no país com expectativa de variação do câmbio.

Ao atuar nos mercados futuros, o governo tentará interferir justamente nessa rentabilidade, fazendo com que a expectativa de oscilação do valor do real ante o dólar aumente, o que consumirá parte do ganho dos aplicadores.

O governo usará dinheiro do Fundo Soberano, administrado pelo Tesouro, para essa finalidade.

Fonte: Folha.com

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