A maior parte das companhias brasileiras remunera de forma diferente os membros do conselho de administração, porém não vincula seus salários e benefícios aos resultados obtidos pela empresa. Estas e outras informações sobre a remuneração de conselheiros estão presentes na Pesquisa de Remuneração dos Administradores, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) na tarde de hoje (1/2).
Conselheiros de administração, fiscais e diretoria de 171 companhias listadas na BM&FBovespa tiveram suas remunerações analisadas (ver link abaixo). Apesar de ser um tabu no mercado empresarial brasileiro, o conhecimento acerca dos valores recebidos pelos administradores e a forma como são compostos seus benefícios têm impacto direto em aspectos vitais da governança das companhias.
“A discussão em torno do assunto foi retomada com grande intensidade durante a última crise econômica mundial, quando a remuneração variável demasiada e desalinhada dos interesses dos acionistas foi considerada uma das grandes vilãs dos problemas e fracassos vividos pelas empresas”, contextualiza a coordenadora do Centro de Conhecimento do IBGC, Adriane de Almeida.
Na época, houve grande incentivo à tomada excessiva de risco por parte de conselheiros e executivos em busca de aumentos substanciais de seus salários.
A pesquisa do Instituto, pontua Almeida, busca lançar luz sobre os mais variados aspectos desta problemática, apresentando o patamar de remuneração praticado pelas empresas de capital aberto no Brasil para conselheiros de administração, diretores estatutários e conselheiros fiscais.
O documento mostra, com dados numéricos de empresas abertas, a forma como a remuneração tem sido usada para alinhar interesses dos administradores, seja na forma de incentivos de curto prazo, como bônus e participações nos lucros, seja com os de longo prazo, como ações e opções de ações.
A pesquisa se apoia sobre a oportunidade gerada pela Instrução Normativa 480 da Comissão de Valores Mobiliários, que entrou em vigor em 2010, para aumentar a transparência na gestão das empresas. Dentre as informações exigidas, as companhias passaram a informar o maior, o menor e o salário médio tanto na diretoria como nos conselhos fiscal e de administração.
“Está claro para o IBGC que a divulgação da remuneração na forma solicitada pela CVM incrementa a transparência e as boas práticas de Governança Corporativa, reforçando o papel da meritocracia, da eficiência e do comprometimento nas companhias”, conclui Adriane. Site: www.ibgc.org.br.
Fonte: CanalExecutivo