A decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) de reduzir a taxa básica de juros do país em 0,5 p.p. (ponto percentual), para 12% ao ano, fez com que o Brasil completasse 20 meses na liderança do ranking dos países com maiores juros reais do planeta.
O país ocupa a primeira posição do ranking desde janeiro de 2010, quando ultrapassou o segundo colocado à época, a Indonésia, após a quarta manutenção consecutiva da Selic.
Com a alta, os juros reais foram a 6,35% ao ano. Na segunda posição aparece a Hungria, com taxa real de 2,8%.
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O ranking é elaborado por Jason Vieira, analista internacional da Cruzeiro do Sul Corretora, com 40 das maiores economias do planeta. Da taxa básica, foi descontada a inflação projetada para os próximos 12 meses.
Na análise de Vieira, no Brasil, o governo tentou forçar uma situação artificial de queda de juros ao anunciar na segunda-feira (29) uma elevação de superavit primário sem cortes de gastos e ao mobilizar sua massa de manobra entre as centrais sindicais para tentar forçar o BC a um movimento incompatível com o que se espera da instituição.
“O ranking de juros hoje demonstrará que sim, o país necessita de juros menores, mas o governo deve cumprir a sua parte antes disso com redução real de gastos e do peso do estado na economia”, avalia.
Segundo levantamento da Cruzeiro do Sul, para que o Brasil deixasse a primeira colocação no ranking, seria necessário um corte de 4,25 p.p. na taxa Selic. Assim, o país chegaria a um juro real de 2,7%, ocupando a segunda posição, atrás da Hungria (2,8%).
Enquanto o Brasil reforça sua liderança na lista, mais da metade dos países citados registram juro real negativo. Tanto que a taxa média geral dos 40 países analisados ficou em -0,9%. Os últimos lugares do ranking são ocupados por Hong Kong (-6,9%), Venezuela (-6,5%) e Cingapura (-5,1%).
Fonte: Folha.com