Inovar no cotidiano faz a diferença para pequenos (DCI)

A Ação Social para Igualdade das Diferenças (ASID), com sede em Curitiba (PR), ajuda a incluir pessoas com deficiência no mercado de trabalho e assessora empresas a gerar valor com essa política de RH.

O Instituto Handsfree, pequena empresa de Recife (PE), desenvolveu equipamento que permite ao deficiente físico controlar o computador com a cabeça e ter automação residencial sem necessidade de modificar a casa.

Também de pequeno porte, a Moradigna, na capital paulista, faz reformas a baixo custo, regulariza construções e parcela o pagamento em até nove meses, beneficiando um público que, de outra forma, não poderia melhorar a moradia. As obras executadas em poucos dias capacitam mão de obra local.

Essas iniciativas, que à primeira vista parecem semelhantes a milhares de outras existentes no Brasil, se diferenciam por uma abordagem inédita em suas atividades. Colocaram em prática inovações aplicadas no cotidiano.

Pela renovação na prestação de seus serviços, a ASID, o Instituto Handsfree e a Moradigna foram, respectivamente, os três primeiros colocados no Prêmio “O Melhor da Inovação”, que fomenta a discussão do tema sob a ótica do dia a dia e reconhece profissionais que conseguiram direcionar esse conceito para a transformação econômica e social.

“A qualquer momento pode surgir uma inovação aplicada no cotidiano. Para isso, as pessoas precisam ser motivadas a exercitar essa capacidade, explorar todas as possibilidades e compartilhar com seus gestores esses insights”, diz Celso Braga, Celso Braga, um dos idealizadores do Prêmio, promovido pelo Comitê de Referência em Inovação Aplicada (CRIA), formado pelo Grupo Bridge, voltado à transformação cultural nas organizações; Associação Brasileira de Ensaios Não Destrutivos de Inspeção (Abendi) e Gestiona. Na primeira edição foram inscritos 35 projetos de todo o País, a maioria em tecnologia (40%), seguida da educação (17%), meio ambiente (11%), negócio social (15%), processo organizacional (6%) e saúde (11%).

Braga explica que os cases, em operação por pelo menos seis meses foram analisados por resultados financeiros tangíveis e intangíveis – melhoria no clima organizacional, otimização dos processos, valorização da marca – para o ambiente onde foi desenvolvido e também pelo impacto social.

Os vencedores têm novos planos. “Vamos investir em um projeto novo que veio de pais preocupados com o que os filhos vão fazer quando eles morrerem. Querem construir casas para os filhos. Com a credibilidade de uma ONG inovadora, atrairemos mais pessoas e assim poderemos impactar mais pessoas”, diz Alexandre de Amorim, porta-voz da ASID, que também já recebeu os prêmios Empreendedor do Futuro e Jovens Inspiradores. Ainda neste ano a ONG – que conta com 20 colaboradores – quer começar a atuar em São Paulo, norte do Paraná, Joinville (SC), além de Curitiba.

Já a expectativa do Handsfree é, em cinco anos, entregar cerca de 5 mil aparelhos ao ano. “Isso para que possamos acompanhar o crescimento do número de deficientes físicos do Brasil, hoje ao redor de 9 mil/ano”, enfatiza Philippe Magnum, dirigente do instituto. Além de quase gratuitos, os aparelhos entregues a deficientes de baixa renda possuem um sistema GPS que impede roubos.

“Em menos de um ano de funcionamento, nós passamos por todas as fases que uma startup passa. Agora estamos indo para o mercado, procurar patrocinadores, para que possamos criar uma escala para o projeto”, acrescenta.

Liliana Lavoratti