Recuperação chega ao setor da construção civil (Valor Econômico)

A recuperação do mercado de trabalho começa a chegar na construção civil, um dos setores mais afetados pela crise econômica. Foram contratadas 169 mil pessoas a mais pelo setor no trimestre encerrado em outubro na comparação com o período entre maio e julho, um aumento de 2,5%. Ao todo, 6,91 milhões de trabalhadores estavam ocupados em obras no acumulado de três meses até outubro, contra 6,742 milhões no trimestre encerrado em julho.

Os números estão na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua de outubro, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “É um número realmente um pouco surpreendente”, afirma Daniel Silva, economista da Modal Asset.

Do começo de 2014 ao fim de 2016, a construção civil perdeu aproximadamente um milhão de postos formais de trabalho. A baixa base de comparação ajudou a construção a voltar a mostrar resultados positivos, de acordo com Bruno Ottoni, economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV).

“É uma reversão à média”, diz ele, que vê também a melhora do ambiente econômico e das condições de crédito como fatores que dão início a uma recuperação do setor. “As pessoas estão menos receosas. A situação está melhorando e elas percebem que sobreviveram à crise.”

Para Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, o crescimento do número de trabalhadores contratados pela setor da construção civil pode estar associado à retomada de obras antes paradas. O segmento, segundo ele, é importante para a recuperação do mercado formal, já que é altamente empregador.

Ottoni, do Ibre-FGV, destaca que na comparação interanual a construção civil ainda apresenta queda do emprego (recuo de 2,28%), mas significativamente menor do que os 10,62% registrados em maio.

Outros grupos que apresentaram alta nas contratações em relação ao trimestre encerrado em julho foram o segmentos de informação, atividades financeiras e imobiliárias (3,2% ou 311 mil pessoas) e de serviços domésticos (2,8% ou 173 mil pessoas). Os demais não registraram variação significativa.