Sem crédito e serviço, construtoras tentam recuperação judicial (Estadão)

A paralisação de obras é um problema crônico no Brasil, antes mesmo de a Operação Lava Jato ser iniciada. Segundo dados da Comissão de Obras da Câmara dos Deputados há, pelo menos, 1,6 mil obras paradas pelo País. Os projetos estão espalhados por vários setores como educação, segurança e recursos hídricos e envolvem problemas diversos, como revisão de orçamento, problemas de desapropriação de áreas e projetos mal feitos.

“Há também um conjunto grande de obras paradas por falta de recursos do governo federal, falta de orçamento”, afirma o presidente da consultoria Inter.B, Claudio Frischtak. Segundo ele, a mudança drástica na economia afetou o planejamento das empresas, que passaram a ter problemas financeiros com a baixa demanda. “Muitos projetos foram feitos num cenário macroeconômico bem diferente do atual.”

No caso das construtoras, além do aspecto econômico, as empresas também tiveram o efeito “reputação”. Sem dinheiro, sem crédito e sem novas obras, muitas empreiteiras entraram em recuperação judicial. Só no primeiro ano da Lava Jato, mais de 250 construtoras foram à Justiça para tentar se recuperar.

Exemplo. Enquanto o processo andava, muitas decidiram rescindir os projetos que estavam tocando. A Schahin Engenharia, por exemplo, interrompeu em 2015 as obras do Campus Integrado Instituto Nacional do Câncer (Inca). Hoje o projeto – que seria um centro de desenvolvimento científico e de inovação para o controle do câncer no País – está em compasso de espera.Segundo o Instituto, vinculado ao Ministério da Saúde, para preservar o investimento já feito, alguns serviços foram contratados, como a finalização da viga de coroamento e a regularização do terreno. “A continuidade da obra depende da atualização do projeto e realização de nova licitação, cujos trâmites já se iniciaram. O orçamento está sendo redimensionado”, afirmou o Inca.